Julho 21, 2008

Terapia

“Na minha infância, meu pai falava…”

“Eu não consigo me relacionar com os outros..”

“Eu exijo muito das pessoas…”

“Mas se você exige na mesma medida que…”

“Se ninguém manteve contato, era porque não era pra ser mesmo..”

“Há um motivo freudiano pra eu ter tantos amigos gays..”

“O que eu espero dos outros é…”

“…”

“…”

“Porra, a gente tá fazendo terapia um com o outro!”

Ao menos é de graça. :)

lily allen, everybody’s changing

Julho 13, 2008

don’t think twice, it’s alright

às vezes tudo o que você precisa são férias. :)

ficar a tarde lânguida, balançando na rede e lendo sem compromisso. conversar e sair às duas da manhã para tomar café. lembrar como é bom estar cercada de pessoas que te entendem. serenidade, paz, risadas. aquele tempo livre para elaborar listas e pensar com fervor que no segundo semestre sem falta eu serei uma nova mulher.

bob dylan, don’t think twice, it’s alright.


It ain’t no use to sit and wonder why, babe
It don’t matter, anyhow
An’ it ain’t no use to sit and wonder why, babe
If you don’t know by now
When your rooster crows at the break of dawn
Look out your window and I’ll be gone
You’re the reason I’m trav’lin’ on
Don’t think twice, it’s all right

Junho 27, 2008

Sapato 36

A gente sempre ouvia Raul Seixas na infância. Um dia meu pai virou pra mim e pro meu irmão e disse: quando vocês crescerem e quiserem sair de casa, vão cantar essa música pro pai. Sem tristeza, foi só uma constatação meio aleatória, dita com um sorriso. Hoje, mais de dez anos depois, a música tocou aleatoriamente e me deu vontade de chorar.

Pai já tô indo-me embora
Quero partir sem brigar
Pois eu já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar

Por que cargas d’águas
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade
Meu pai

obrigada por nunca afogar tudo aquilo que eu sentia no meu peito.

Junho 22, 2008

Don’t look back

Bob canta turn, turn, turn again e o aroma do café amendoado preenche a cozinha iluminada com suas lâmpadas de fluor ou fósforo, nunca sei. Quinze pras três e eu aqui, com livros de análise semiótica, metodologia do trabalho científico e nenhuma disposição. Incrível como arroubos literários só aparecem quando você precisa digitar zilhões de caracteres sobre assuntos áridos. Dylan e sua máquina de escrever, enquanto Baez silenciosamente dedilha uma canção. Aquilo sim era vida.

bob dylan & joan baez, percy’s song.

Junho 19, 2008

Quarto

Eu ia escrever sobre o meu quarto. Sobre como ele se tornou - com os cobertores, o notebook, os livros, as canecas de café e as apostilas xerocadas - o único lugar em que eu me sinto em casa.

Mentira, eu ia mesmo era escrever sobre a solidão.

E existe coisa mais solitária do que passar dias e dias trancada no quarto,  com um sentimento de exilada na garganta?

Junho 16, 2008

2.0

Princess on the steeple and all the pretty people
They’re drinkin’, thinkin’ that they got it made
Exchanging all kinds of precious gifts and things
But you’d better lift your diamond ring, you’d better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can’t refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You’re invisible now, you got no secrets to conceal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

dylan, sempre.

20 anos, quem diria.

Maio 20, 2008

19 anos e 11 meses.

A data no prontuário médico assustou a ponto dela ficar brava. Ora, se é para me dizer que o tempo urge, que o tempo passa, que o tempo existe e devora, que escrevesse logo vinte anos desperdiçados com literatura, música, bloqueios e nada, nenhum amor. Mas ficou olhando para os pés descalços e para a moça que dizia incansáveis instruções, um passo para a direita, por favor, não se mexa agora. Imóvel enquanto a máquina de ressonância ou magnetismo, ela não saberia dizer, girava ao seu redor, sentiu os pensamentos inundados de lágrimas. Besteira. É que essa coisa de envelhecer deixa a gente maluco. Todo ano era igual, desde que tinha 14 anos e começou a pedir para encontrar alguém especial. Encontrou alguns, mas nenhum resistiu aos muros que criara pacientemente, ao desprezo gratuito, ao medo de se envolver. E agora que não haveria mais festas para encobrir o silêncio, pois o tempo de festas passara rápido, como todos os tempos. Pensou ouvir a risada zombeteira da recepcionista burra, mas apaixonada. Dezenove anos e onze meses, repetiu. E, calçando os sapatos, novamente. Dezenove anos e onze meses.

“Oh you can hold her eggs
But your basket has a hole
You can lie between her legs and go looking for
Tell her you’re searching for her soul
You can wait for ages
Watch your compost turn to coal
Time is contagious
Everybody’s getting old”

coconut skins, damien rice.

Maio 19, 2008

Conectada

Essa boniteza à direita é minha mais nova aquisição. Agora eu posso me sentir mais como a Carrie Bradshaw e escrever minha obra-prima na Starbucks. Mas nada é mais glamuroso e gratificante do que compartilhar a conexão com o seu vizinho. :}

Sem mais desculpas para não atualizar esse blog, ok?

Semana corrida, pra variar. Como uma faculdade consegue passar tantos trabalhos de uma só vez? Me desdobrarei em duas, três. O que fazer no feriado? Queria pegar estrada, mas falta dinheiro e disposição alheia.

Enfim. Agora que ganhei um notebook, só falta um namorado e pronto, minha vida estará perfeita. Ou não, como diria Caetano Veloso.

*

Ah, para quem gosta de rádios online, recomendo a Deezer. Viciante.

Abril 30, 2008

Clima, Kurt Cobain & Meredith Grey

Espio pela janela com os olhos ainda enevoados de sono e o cinza turbulento me diz que hoje é um daqueles dias em que não vale a pena sair debaixo das cobertas. A chuva, o frio preguiçoso, os ruídos de fundo da cidade. Quando o tempo amanhece assim, lembro sempre de Kurt Cobain. Aí fico melancólica também. Meu herói da adolescência, com os acordes e letras que eu ainda sei de cor vivia em Seatlle, onde também vive Meredith Grey, minha heroína trágica do início da vida adulta.

Ás vezes acho que saí de Manaus para escapar do clima equatorial super-umido. E para poder usar roupas legais, com cachecol roxo e meia-fina preta. A faculdade de Jornalismo foi, pra dizer a verdade, uma desculpa esfarrapada.

#ouvindo: unplugged nirvana. meu cd mais antigo :}

Abril 27, 2008

Virada Cultural

“Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular.”

Eu não ia mas a Ana ligou e ficou chato não ir e aconteceu aquelas coisas que só mesmo em filme o papel picado caindo torrencialmente sobre o público e a música mais baixa do que eu gostaria deixou que eu ouvisse o menino do lado dizer eu vou deixar você ficar com esse pedaço de papel pra você lembrar de mim pra sempre depois ele olhou para frente e eu também e nunca nunca mais.

zé ramalho & elba ramalho, chão de giz.